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Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco recebe título de Professora Emérita da FCF-USP por legado à ciência e à formação de pesquisadores

Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco recebe título de Professora Emérita da FCF-USP por legado à ciência e à formação de pesquisadores

Responsável pelo FoRC foi uma das oito personalidades homenageadas pela Faculdade de Ciências Farmacêuticas em cerimônia que reconheceu décadas de contribuição ao ensino, à pesquisa e à universidade pública.

A microbiologia de alimentos, a formação de gerações de pesquisadores e a construção de uma ciência comprometida com a saúde da população marcaram a trajetória celebrada nesta quarta-feira, 14 de outubro, quando Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco recebeu o título de Professora Emérita da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP).

A homenagem reconhece uma carreira que reúne produção científica de projeção internacional, formação de farmacêuticos, mestres e doutores, liderança acadêmica e participação na consolidação da microbiologia de alimentos no Brasil. Para Bernadette, a distinção também representa um capítulo de uma longa relação com a USP, iniciada ainda na graduação, e que permanece ativa após a aposentadoria.

“Eu entrei na USP há 57 anos, contando meu início de graduação, e nunca saí dela. E parece que essa USP nunca vai sair de mim também”, afirmou a professora em seu discurso.

O título de Professor Emérito é a distinção máxima conferida a docentes da USP, um reconhecimento de trajetórias de relevância singular e contribuições duradouras à ciência, à educação e à sociedade. Ao reunir oito homenageados em uma mesma sessão solene, a Faculdade celebrou também parte da história de uma instituição cujas origens remontam à criação da Escola Livre de Farmácia, em 1898.

Cerimônia Professor Emérito - Bernadette
Crédito: Jornal da USP, Cecília Bastos Ribeiro

Um legado que se multiplica nas pessoas

Na abertura da cerimônia, o diretor da FCF-USP, Prof. Joilson de Oliveira Martins, ressaltou que a importância dos homenageados ultrapassa os resultados registrados em currículos e indicadores científicos. Seu legado, afirmou, está nos laboratórios, nas aulas na graduação e pós-graduação e nas áreas de conhecimento que ajudaram a construir, mas sobretudo nas pessoas que formaram.

O diretor destacou que o legado dos homenageados permanece nos alunos que se tornaram professores e nos profissionais que levam o conhecimento adquirido na Faculdade para diferentes setores da sociedade. “E agora somos nós que recebemos aquilo que vocês construíram. Temos, portanto, não apenas a alegria de agradecer, mas também a responsabilidade de continuar. Continuar fazendo dessa faculdade uma instituição pública de excelência. Continuar defendendo a ciência”, afirmou.

Na sequência, ao apresentar a trajetória da Profa. Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco, o Prof João Paulo Fabi, chefe do Departamento de Alimentos e Nutrição Experimental da FCF-USP, destacou o pioneirismo e o rigor metodológico da pesquisadora, além de suas contribuições para a segurança dos alimentos e a saúde da população.

Segundo os dados apresentados, ela possui mais de 230 artigos publicados em periódicos especializados e mais de 8.500 citações, além de ter formado mais de 70 mestres e doutores. Muitos deles ocupam hoje posições de destaque em universidades, instituições de pesquisa, órgãos governamentais e na iniciativa privada.

Para o Prof. João Paulo, uma das dimensões mais importantes do legado da professora Bernadette é “a capacidade de multiplicar conhecimento, formar lideranças”. Ele também ressaltou a combinação de profundidade acadêmica, visão estratégica e agilidade na tomada de decisões, características que identificou na convivência com a pesquisadora em discussões sobre pesquisa, pós-graduação e projetos institucionais. Sua atuação à frente do FoRC foi apresentada como uma expressão dessa visão de futuro.

Da iniciação científica à microbiologia de alimentos

Ao receber o título, a profa. Bernadette recuperou uma história que começou longe da Universidade. Filha de imigrantes europeus que chegaram ao Brasil após a Segunda Guerra Mundial, contou que desembarcou no país ainda bebê, aos seis meses. Na bagagem da família, um baú de madeira com objetos pessoais acompanhava os planos de construir uma nova vida.

Apesar das dificuldades de adaptação, seus pais fizeram da educação dos filhos uma prioridade. A professora ingressou na USP, onde se graduou em Farmácia e Bioquímica em 1973. Concluiu o mestrado em Microbiologia e Imunologia na Escola Paulista de Medicina, em 1976, e o doutorado em Ciência dos Alimentos na USP, em 1983.

A aproximação com a pesquisa começou no segundo ano da graduação, quando as aulas de microbiologia despertaram seu interesse pelo universo dos microrganismos. Ao procurar uma oportunidade de iniciação científica, foi encaminhada ao renomado Prof. Luiz Trabulsi, na Escola Paulista de Medicina, dando início à formação que sustentaria sua carreira.

A passagem da microbiologia clínica para a microbiologia de alimentos ocorreu a partir de um convite para ministrar aulas na FCF. Ela recordou que recebeu a proposta com entusiasmo e apreensão: sua experiência até então estava concentrada na área clínica, e assumir a disciplina exigiria uma nova preparação.

A resposta foi estudar e buscar formação prática. Nesse percurso, realizou um estágio no Instituto de Tecnologia de Alimentos (ITAL), experiência que a ajudou a se preparar para o ensino e aproximou sua trajetória do campo em que construiria suas principais contribuições científicas.

Uma escola de formação em microbiologia de alimentos

Em seu discurso, a profa. Bernadette atribuiu parte importante de suas realizações ao trabalho coletivo. Fez um agradecimento especial às professoras Mariza Landgraf e Maria Teresa Destro, com quem compartilhou décadas de atividades de ensino, pesquisa e extensão. “Uma carreira acadêmica nunca é construída por uma pessoa sozinha”, afirmou. Ao se dirigir às colegas, acrescentou: “Vocês são insubstituíveis”.

Ao longo de cerca de 25 anos de colaboração, relatou, o grupo se consolidou como uma referência de projeção nacional e internacional, com a participação de equipes técnicas e estudantes. Juntas, as três pesquisadoras contribuíram para a formação de milhares de alunos de graduação. “A nossa árvore genealógica acadêmica mostra que já estamos na quinta geração de pós-graduados formados”, destacou.

Outro marco lembrado foi o livro Microbiologia dos Alimentos, escrito inicialmente para apoiar a formação dos seus estudantes e que se tornou uma referência didática no Brasil e em países da América Latina.

Para ilustrar a transformação do grupo ao longo dos anos, a profa. Bernadette comparou seu início a uma pequena jangada que se tornou um transatlântico, capaz de levar pesquisadores e estudantes a diferentes partes do mundo. Às novas gerações de docentes, deixou a missão de dar continuidade ao legado e fazê-lo crescer. “E quem sabe transformar o nosso transatlântico numa nave espacial, interplanetária”, afirmou.

Liderança na Universidade e na pesquisa em alimentos

A sua contribuição também se estendeu à gestão acadêmica e à organização da pesquisa. Ao longo da carreira, coordenou por 16 anos o Programa de Pós-Graduação em Ciência dos Alimentos, presidiu a Comissão de Pós-Graduação da FCF, exerceu a vice-diretoria da Faculdade e foi pró-reitora de Pós-Graduação da USP.

Sua atuação incluiu ainda a participação na coordenação de área da FAPESP e no Comitê de Assessoramento de Ciência e Tecnologia de Alimentos do CNPq e da CAPES contribuindo para a avaliação e o desenvolvimento da pesquisa e da pós-graduação para além de sua própria instituição.

Em 2026, ela também recebeu menção honrosa no Prêmio Ester Sabino para Mulheres Cientistas do Estado de São Paulo, na categoria de pesquisadoras sênior, outro reconhecimento à relevância de suas contribuições à ciência brasileira.


FCF_Outorga_Titulo_Emerito_Docentes_203-26_Foto-Cecilia-Bastos
Crédito: Jornal da USP, Cecília Bastos Ribeiro

Reconhecimento a oito trajetórias

Além de Bernadette Dora Gombossy de Melo Franco, receberam o título de Professor Emérito Dulcineia Saes Parra Abdalla, Jorge Mancini Filho, Marina Baquerizo Martinez, Michele Vitolo, Primavera Borelli, Rosario Dominguez Crespo Hirata e Silvia Berlanga de Moraes Barros.

A solenidade reuniu autoridades universitárias, docentes, servidores, estudantes, familiares e convidados. Entre as autoridades, além do diretor da FCF, estavam o magnífico reitor da USP, Prof. Aluisio Augusto Cotrim Segurado; e a vice-diretora da FCF-USP, Prof. Inar Castro Erger.

Os quatro departamentos da Faculdade estiveram representados por seus respectivos chefes. Além do Prof. João Paulo Fabi, estiveram presentes a Prof. Irene da Silva Soares, do Departamento de Análises Clínicas e Toxicológicas; a Prof. Nádia Araci Bou-Chacra, do Departamento de Farmácia; e o Prof. Leoberto Costa Tavares, do Departamento de Tecnologia Bioquímico-Farmacêutica.

Um vínculo que continua

Aposentada e atualmente professora sênior, a Profa. Bernadette ressaltou que pretende continuar colaborando com a USP. Em sua fala, o reconhecimento recebido esteve acompanhado de agradecimentos aos familiares, professores, colegas, equipes técnicas e estudantes que participaram de sua trajetória. Ao projetar o futuro, reafirmou sua confiança na universidade pública e defendeu uma USP forte, autônoma, independente, inclusiva e aberta àqueles que, por seu mérito e suas qualificações, estejam preparados para integrar sua comunidade acadêmica. Manifestou também o desejo de que as próximas gerações encontrem na instituição oportunidades tão transformadoras quanto aquelas que marcaram sua própria trajetória.

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